quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A FELICIDADE SO INCOMODA A QUEM SE SENTE CULPADO POR ELA

Tive um grande amigo e marido, ou (marido-amigo), companheiro de todas as horas, que assistia todos os filmes e ate algumas novelas junto comigo. E ao final de cada trama,ele reclamava: "E agora, Lu? Por que a historia sempre termina quando todos os problemas se resolvem? Por que os autores deixam de mostrar a felicidade conquistada com tanta dificuldade?" Eu sorria com a ingenuidade da pergunta, sabendo que, no fundo, ele estava certo em cobrar por algo mais.
Numa novela, livro ou filme, seja policial, de aventura, romance ou suspense, quando conseguem finalmente encontrar o culpado, ou o tesouro, descobrir o amor ou desvendar o misterio, quando todos poderiam viver felizes para sempre...surge um simples THE END___________________ Como assim?! Os personagens se dissolvem ali, instantaneamente, e todas as emocionantes horas vividas, em que rimos, choramos, em que nos mantivemos na torcida...se dispersam, sem que nada e ninguem explique para onde foram...onde poderemos encontrar cada um deles novamente...se os apaixonados ficaram juntos para sempre...se os crimes nunca mais aconteceram...se o tesouro recuperado foi usado realmente para o bem...se o misterioso caso, depois de solucionado, caiu no esquecimento...
Mais do que dedicar alguns minutos, capitulos ou paginas extras ao filme, folhetim ou livro, o que se deveria analisar, na verdade, seria essa necessidade masoquista que o ser humano tem de preferir o sofrimento. Por que estamos sempre dedicando mais tempo `a dor do que ao amor? Parece que, quando somos felizes, nos sentimos culpados; que tendemos a amparar quem sofre, com maior prazer, do que parabenizar e confraternizar com quem demonstra alegria...podemos perceber que a intensidade do sentimento de piedade, normalmente e bem maior do que o bem-estar que a felicidade alheia nos provoca...ou seja: A FELICIDADE INCOMODA, e incomoda principalmente a quem tem medo dela, quem deixa de correr riscos, quem se acomoda com o que recebe, mesmo sabendo que merece mais, com receio de perder o pouco que tem, e me refiro tanto ao sentido material quanto ao sentimental.
Olhando em volta vemos relacionamentos familiares que deixam a desejar: pessoas que se mantem juntas por varios motivos, exceto por amor; casais que se toleram pelos filhos ou pela necessidade financeira, outros que permanecem unidos por serem emocionalmente dependentes da figura do "outro", o "outro" passa a ser o mais importante de tudo, a sua "razao de viver"!
...o medo de ser feliz existe para aqueles que nao arriscam, que escolhem sonhar sem jamais lutar para concretizar seus sonhos, que se escondem sob a CAPA DOURADA DA FELICIDADE, bem dourada, brilhante mesmo,tem que brilhar muito, para ofuscar, usada para ocultar o que precisa continuar escondido, ou para mascarar o que precisa ser mascarado...e como, infelizmente, muita gente integra esse "time", isso faz com que tenhamos sempre FINAIS FELIZES nunca mostrados, apenas sugeridos...porque o FINAL FELIZ significa o risco, a verdade, o dia `a dia, as "coisas comuns", e quando banalizamos a felicidade ela deixa de ser aquele alvo sonhado, distante, inatingivel...e com isso acreditamos que ela deixe de ser fundamental, ao se tornar de FACIL alcance.
Deixemos de ser covardes! Muita gente escolhe colocar a felicidade bem longe, mas seria bem melhor entender o quanto perto ela se encontra, e que e possivel conviver com ela diariamente, sem temer, sem se sentir culpado ou incomodado.

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